2006-03-07

As Palavras

As palavras São como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um incêndio. Outras, orvalho apenas. Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam: barcos ou beijos, as águas estremecem. Desamparadas, inocentes, leves. Tecidas são de luz e são a noite. E mesmo pálidas verdes paraísos lembram ainda. Quem as escuta? Quem as recolhe, assim, cruéis, desfeitas, nas suas conchas puras? Eugénio de Andrade Como são as palavras? Algumas são ensossas e outras têm um sabor salgado. Certas palavras são escassas. Outras embebedam. Há palavras sujas e palavras limpas na alma. Algumas palavras misturam-se, outras são orgulhosas. Há palavras que criam laços. Outras desfazem afectos. Algumas palavras são inconscientes e internas. Outras, simplesmente públicas. Certas palavras são inúteis e vãs. Outras recheadas de sentidos. E para ti, como são as palavras? Como as sentes? A que sabem? Consegues vê-las ou tocá-las? Ou simplesmente fazem parte de ti?

4 comentários:

Blogger wind disse...

Preeciso de palavras, mas também sei que é preciso muito cuidado ao usá-las, porque pode dar azo a más interpretações.

3/07/2006 02:53:00 da tarde  
Blogger ponto azul disse...

Como neste momento e já desde o inicio do ano tenho tido cuidado com as palavras e ouço melhor todas as que me dirigem e saboreio ou não o seu sentido sncero...preciso de palavras de alento, sim, de amizade e carinho, às vezes o espelho só reflecte o rosto e não as palavras quando se está sozinha...Bjs :-)

3/07/2006 04:46:00 da tarde  
Anonymous Xuk disse...

Não nos damos lá muito bem, as palavras e eu... Por vezes saem depressa demais, ainda mal foram cogitadas e já estão a sair, de rompante, sem tempo para pesar bem qual o efeito que elas podem ter no meu interlocutor. Outras, aglutinam-se cá dentro, e com tanta atabalhoação acaba por não sair nada, ou quando saiem, o que sai e o que eu queria realmente dizer, são por vezes coisas bem diferentes. Claro que nem sempre é assim, nem tudo o quero dizer fica por dizer e nem tudo o que digo sai disparado como uma bala sem medir a consequências, mas aquelas que me são mais próximas do coração e no fundo as mais importantes, são aquelas que se perdem, no meio de tantas outras e acabam por muitas vezes não sair.

3/07/2006 09:34:00 da tarde  
Blogger jacky disse...

Deixem-nas fluir simplesmente!
Beijinhos

3/09/2006 01:27:00 da tarde  

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